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Brasil pode reduzir incêndios florestais e Mato Grosso mostra o caminho

No estado, a atuação do Corpo de Bombeiros Militar foi decisiva


A prevenção nunca foi tão determinante para proteger vidas, biodiversidade e produção agropecuária no Brasil. E 2025 provou, com dados incontestáveis, que quando a estratégia é sólida, integrada e antecipada, os resultados aparecem. Mato Grosso é hoje o principal exemplo prático dessa realidade.


No estado, a atuação do Corpo de Bombeiros Militar foi decisiva: reforço de brigadas especializadas, capacitação permanente, monitoramento contínuo e integração com produtores rurais criaram uma verdadeira muralha preventiva contra o fogo. O reflexo disso? Uma redução drástica de focos de calor e áreas queimadas no Pantanal e no Cerrado. Todo esse avanço só foi possível com investimentos consistentes em equipamentos modernos, tecnologia e respostas mais ágeis. Medidas que transformaram Mato Grosso em um case nacional.


A mobilização não se restringiu ao estado. Corpos de Bombeiros de diversas regiões do país passaram a receber equipamentos estratégicos, de caminhões-pipa a bombas costais e ferramentas de combate direto, graças ao aporte de R$ 150 milhões do BNDES, direcionados exclusivamente à prevenção. Trata-se de um marco recente, mas com efeitos já percebidos no desempenho nacional frente aos incêndios florestais.


No entanto, o que Mato Grosso alcançou é ainda mais emblemático e demonstra que um sistema de prevenção estruturado, integrado e executado com disciplina, aliado à adesão proativa das medidas definidas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), gera impacto real. A participação dos produtores rurais, que ampliaram brigadas, aderiram a protocolos técnicos e fortaleceram a gestão preventiva, completou a equação que está permitindo ao Brasil reduzir incêndios sem comprometer sua produção.


Os números falam por si. Em 2025, Mato Grosso registrou o menor número de focos de calor no período proibitivo desde 1998: 7.202 focos, contra 41.138 em 2024 - uma redução de 82%.

O estado também apresentou queda de 77,6% em relação à média histórica de 31.428 focos, resultado direto de R$ 125 milhões investidos em monitoramento e resposta rápida pelo Corpo de Bombeiros Militar.


Mesmo sendo um dos maiores territórios do país, Mato Grosso ocupou apenas a 16ª posição nacional em número de focos. E um dado crucial precisa ser destacado: 51% dos focos ocorreram em terras indígenas e federais, que representam apenas 21% do território estadual.


Medidas mais rígidas, como multas recordes por uso irregular do fogo, somadas ao planejamento integrado, ajudaram a conter incêndios em biomas como Amazônia e Cerrado. É uma demonstração clara de que políticas públicas, quando acompanhadas de operacionalização técnica eficiente, geram impactos mensuráveis.


Produtor Rural, é hora de antecipar


A adoção imediata das medidas previstas nas Resoluções nº 02 e nº 03 do COMIF não deve esperar 2027. A Resolução nº 2 determina a obrigatoriedade do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) e do Plano de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais (PPCIF). Já a Resolução nº 3 estabelece normas para reduzir ignições ilegais, evitar grandes incêndios e incentivar ações cooperadas entre produtores, como formação de brigadas e compartilhamento de equipamentos.


E há um ponto essencial que é elaborar planos, contratar equipes, treinar pessoas e adquirir equipamentos exige tempo e investimento. Antecipar-se é a única forma de garantir eficácia e segurança jurídica quando a obrigatoriedade entrar em vigor.


O Plano Safra 2025/2026 destina até 30% dos seus recursos para medidas preventivas contra incêndios. É um incentivo direto para que produtores invistam no cumprimento das resoluções, fortaleçam seus sistemas de proteção e reduzam riscos ambientais e produtivos.


O Brasil tem diante de si um exemplo concreto de que prevenção funciona. Persistir nesse caminho significa proteger biomas, garantir segurança às comunidades rurais e urbanas e assegurar a continuidade da produção que sustenta a economia naciona.


Aluísio Metelo Junior é Coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, atual presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais e membro do Comitê Nacional do Manejo Integrado do Fogo – COMIF.

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